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O curso foi muito produtivo. Os temas abordados tem caráter prático e objetivo, sujeitos a aplicação já no dia seguinte em qualquer empresa. O palestrante tem domínio do assunto e o mais importante, muita vivencia na área, o que é fundamental para o sucesso do curso. Recomendo fortemente.

Daniel Zanetti de Almeida
Curso de Técnicas de Negociação para Cobrança

Artigos:
Preparação para o ABC ou inserção de melhorias no custeamento
Dalvio José Bertó – Consultor de empresas na área de Custos
Preparação para o ABC ou inserção de melhorias no custeamento
Na tentativa de ajudar os profissionais que pretendem em seu ambiente empresarial qualificar a formação dos custos dos bens e serviços, abordamos nesse segundo artigo alguns passos de implantação do ABC.

O primeiro cuidado que uma empresa deve ter ao pensar em implantar o ABC (mais do que quando pensa em implantar o Custeio Integral ou Custeio Marginal, ou como um estágio evolutivo desses), é diagnosticar a real possibilidade de rastrear os diversos componentes de custos através do seu sistema informatizado. Esse é por sinal o primeiro estágio: o direcionamento do maior número possível de situações e contas de custos aos bens e serviços.

Algumas questões abaixo listadas – válidas ora para alguns segmentos de negócios ou setores da economia, ora para outros, mas também na área pública algumas delas - podem servir ao leitor/participante, como um programa de soluções práticas para qualificar o sistema de custeio da empresa em que atua – não importando a configuração conceitual ou doutrinária que esse possa assumir em determinado momento.Igualmente as situações apresentadas ajudam a despertar para a identificação de aplicações de cálculo imediatas sobre as próprias contas em si – em termos de melhor direcionamento dessas – independentemente do que ainda se terá que processar com os custos das atividades ou áreas de apoio.

I) A inadimplência
Consegue ser isolada por operação comercial/ unidade de negócio, e ser atribuída a determinadas modalidades de negócios no mínimo por linha e grupo de produtos (e desses estendida, aí sim , por algum percentual de incidência específica sobre sua receita aos itens,bens) ? Uma eventual impossibilidade de segregar tais números e os direcionar por linhas de negócios e modalidades específicas de crédito indicam uma nítida falha de apropriação que deve ser corrigida, tanto faz se no Custeio Marginal ou Integral ou na metodologia do ABC.

II) Despesas de Assistência Técnica
As linhas de produção numa indústria nem sempre apresentam problemas idênticos de qualidade, sendo umas mais suscetíveis de problemas do que as outras. Logo, tais fenômenos devem ser adequadamente mensurados e direcionados sobre os negócios efetivamente causadores de tais custos. Nesse sentido, o ideal seria que o exame de tais efeitos alcançasse especificamente o cliente, a modalidade de cliente, com um exame paralelo das causas (problemas de qualidade por estatística de reclamações ou não conformidades, distância,tipo de instalações do cliente,etc), para que desse modo possa ser saneado o descontrole da qualidade , em sua repercussão específica por naturezas,etc. Em determinados ramos de atividade, a Assistência Técnica extrapola a conotação de correção a posteriori de falhas no processo. Entre outros casos, um determinado fabricante e fornecedor de insumos (como tinta e esmalte) que integra a cadeia produtiva do ramo ceramista, pode exercer as funções de assessoramento técnico permanente na aplicação do produto desenvolvido. Ao serem mensurados tais custos, é possível revisar os valores transacionados entre os parceiros, evitando prejuízos diretos, proporcionados pelo excesso de custos ou inadequada precificação.

III) Desperdícios de produção
É oportuno lembrar que também merecem ser mensurados: retrabalho, custos em geral de desperdícios de operações na área industrial. Ou custos da não qualidade. Apontamentos deficientes de tempos acabam também por causar sérios problemas de apropriação ou direcionamento de custos, que devem ser corrigidos mediante o esforço conjunto de todos os colaboradores, sobretudo da área industrial. Algo básico, mas ainda tão freqüente, pois não raramente se encontram empresas que simplesmente abandonam o apontamento de tempos. Já num supermercado, há itens mais suscetíveis à perecibilidade, como frutas, legumes e vegetais, cabendo nesse caso conhecer a sua expressão por artigo.

IV) Prescrições médicas
Em Hospitais que acumulam atividades complementares de ensino aos residentes médicos, é sempre oportuno ampliar práticas de rastreabilidade, para dimensionar possíveis excessos de prescrições relativas a procedimentos de exames laboratoriais e de bioimagem, bem como medicações por parte dos médicos residentes, em comparação com as práticas usuais de outros profissionais. Com isso é possível determinar excessos de custos. Mediante indicação do seu CRM (inscrição no Conselho Regional da profissão), é possível identificar por paciente os possíveis excessos de custos, que adequadamente tratados além de proporcionar economias para a Instituição de Saúde, podem infundir normas de economicidade e otimização ao profissional médico que tenha porventura se excedido em alguns itens.

V) Despesas de Viagem
Um relato interessante foi-nos relatado em uma empresa: determinada pessoa da área comercial ficou quase um mês em viagem num país vizinho do Brasil, para fechar um negócio com um cliente. É uma impropriedade imensa que tal custo seja computado simplesmente como um custo de natureza genérica recaindo sobre a área administrativa. Uma avaliação correta de tais situações indica a necessidade de segregar os custos de cada viagem sobre determinado cliente, ou grupos de clientes, ou clientes da região atendida.

VI) Custos de entregas na praça
Por vezes se constatam, em determinadas empresas, em horários fora do expediente normal, entregas diárias de produtos processados no turno da noite. Tais entregas, por sua vez, implicam na aquisição de veículos específicos com destinação de recursos humanos, integralmente absorvidos nesse atendimento. É indesculpável que na análise do desempenho de tal cliente ou negócio tal custo, por sua depreciação, manutenções, etc. figure como um componente de custos de natureza genérica, impedindo uma efetiva avaliação do retorno proporcionado por tanto sacrifício.

VII) Promotores de vendas, repositores
Determinadas redes de supermercados exigem a presença de promotores e repositores, em algumas linhas de mercadorias. Numa avaliação de custos dos bens vendidos a esse segmento, cabe dimensionar a influência de tais custos bem como – é lógico – dos custos industriais em si dos bens vendidos. Pode-se considerar como justo a distribuição de tal custo sobre clientes e negócios que não usem tal estrutura ou recurso (promotores, repositores)? Nesse e nos demais exemplos, deve ser observada a diretriz de substituir a aplicação de índices genéricos de custos, pela prática da especificidade dos custos. Uma palavra ou termo define adequadamente tal situação: é a rastreabilidade, e tal esforço de identificação de custos é cada vez mais importante num mundo que dispõe de novas e sucessivas alternativas de canais de vendas, tais como: televendas, Internet/comércio eletrônico.

VIII) Custo financeiro por: linha, artigo, negócio, cliente
Os prazos de recebimento dos valores de venda não são uniformes nas empresas por negócio. Da mesma forma, a rotação de estoques não é homogênea por linha, etc. Por esse motivo, é imprescindível o seu adequado dimensionamento por negócios. A formação de créditos de ICMS relacionados a negócios com mercado externo tem sido para muitas empresas, sobretudo recentemente, uma fonte de apreensões e problemas. As dificuldades de seu aproveitamento geram custos em cada empresa supostamente beneficiada por tal incentivo, merecendo o adequado dimensionamento no segmento correspondente de negócios. O conhecimento isolado desses elementos sobre os artigos e operações é extremamente válido até mesmo com a finalidade de identificar quais modalidades de negócios são mais vantajosas, para na seqüência desencadear o direcionamento consciente de esforços de vendas.

Esse é o segundo artigo de uma série de 5 artigos que tratam de possíveis aplicações do Custeio por Atividade. Leia-os todos na sequência, e terá um amplo painel de diagnóstico do sistema de custos de sua empresa, bem como sugestões de aplicação prática imediata.

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